Tinha finalmente voltado para casa. Refugio absoluto de paz e serenidade. Mas ao invés de encontrar as coisas como costumavam estar, com seus cães brincando no quintal e seus pais sentados na grande varanda chimarreando no final da tarde, encontrou tudo muito diferente.
A porteira, estava escancarada para traz e o pátio mostrava sinais de abandono. Não era de pouco tempo como ele pode perceber as ervas daninhas tinha tomado conta do que antes era um vistoso gramado coberto de flores do campo. A grande casa estava desabitada. Só alguns gatos domésticos, agora selvagens pela ausência humana,trilhavam pelas sombras.
O vento uivava por entre as frestas e aberturas da casa iluminada por um vermelho sangue do sol poente próprios dos banhados. A grande mesa que ficava na sala estava quebrada. Alguns moveis ainda restavam apodrecidos pelo descaso e agora serviam de abrigo para aranhas e outros estranhos habitantes.
Fez questão de percorrer os quartos e a cada passo, antigas lembranças corriam de uma porta para a outra. Viu o que sobrou de sua antiga cama. Alguns trapos velhos ainda restavam numa das prateleiras do seu velho armário. Coisas que ele tinha deixado para trás no dia em que resolveu ir embora. Para a cidade, para um mundo novo que lhe esperava.
E agora, ali sozinho na Tapera, vendo tudo que deixou para trás, ele chorava. Talvez, se tivesse ficado, as coisas fossem diferentes agora. Talvez tivesse uma outra história para contar que não essa. De ter deixado o mundo pelo qual tanto ansiava para trás e ter decidido enfim voltar para casa.... tarde demais.
Passou pela varanda e cruzou o quintal sem olhar para trás. Fechou a porteira atrás de si e pegou novamente a estrada. Ali, o tempo maldito não esperou, assim como nos outros lugares por onde passou. Enfim, nada havia restado do seu passado. E rumando para seu destino ainda desconhecido reinventou um novo homem.
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