sexta-feira, novembro 25, 2005

Limiar


Bastou que o acaso ocorresse,
a mente abrisse
e as idéias escorressem pelas paredes internas do crânio rumo ao nada.
Tava feita a merda toda...
ressurge a saudade que mata.

Caiu então
em um buraco negro e lamacento
que se abriu em algum canto do cosmos.
Roubou o fruto da arvore proibida e devorou sozinho,
Bebeu o veneno que completava o cálice
como se fosse um bom vinho
Não viu anjos
E por todos os demônios
Mais uma vez se viu cercado de vazio

Ardido como pimenta
Teórico da conspiração perfeita
Submundo feio da própria existência
Que não se ama
Não se permite
nem deixa
Que nada e ninguém atrapalhe suas rotas de fuga.

Digníssimo filho de Deus
Ilustre cidadão
Profissional competente
Amante hipócrita
Cafajeste
contente
Prisioneiro das masmorras de uma rainha má
Deseja ser desejado por todo desejo que há

Vezes violento
Outrora sedento
Se contenta com pouco
Quase nada
Um olhar
Um carinho
No limiar da mente que vaga
se joga de cabeça no vento.

Preso eternamente
E vagando livre por ai
Entre o céu e o inferno
Ri de tudo e chora por nada
Tudo que toca morre ou se estraga
Amaldiçoado seja ele
Por que para mim já não sobrou mais nada.
Foto: Asya Scheen