terça-feira, dezembro 13, 2005

Dimensão Tererê


Para onde pode ter ido toda a angustia?
Todo o sofrimento?
Não sei, entrei na Dimensão Terere
Alivio imediato de qualquer sensação nociva.
A vida em sua essência orgânica, brilha.
Já não resta nem dor nem magoa.
Tudo é alegria.

Estar vivo, sentir o calor que o sol emana
Beijar a boca que pede,
correr descalço na grama.
Respirar como se fosse a primeira vez

Slide...

Surfando sobre hipnóticas ondas de som
Protegido na Dimensão Tererê o que é bom
Flutuo sobre um mar de gente que grita

Energia, celebro a vida.

É pra lá que nós vamos
Um portal de luz se abrirá
Nos sugando para aquele lugar
É pra lá...

Justamente para lá
Pra lá que nós vamos.
Dançar sim
Enlouquecer sim
Argumentar sobre o nada
E divagar sobre tudo

A dimensão Tererê se apresenta
E definitivamente esse nome sustenta
A genialidade da coisa toda

Respiramos a razão bem fundo pela ultima vez
Antes de passar pelo portal
E neste outro mundo amanhecer
Dimensão Tererê

Aqui vamos nós
Para o lugar onde os relógios parecem parar
E a felicidade é capaz de reinar
Na eternidade de um segundo

Me chama quando o sonho acabar
Me desperta com um beijo doce e profundo
Ou então me deixa dormir para sempre
Na Dimensão Tererê.
Nosso outro mundo.



Foto: Ryan Pfeiffer

sábado, dezembro 10, 2005

Tapera


Tinha finalmente voltado para casa. Refugio absoluto de paz e serenidade. Mas ao invés de encontrar as coisas como costumavam estar, com seus cães brincando no quintal e seus pais sentados na grande varanda chimarreando no final da tarde, encontrou tudo muito diferente.

A porteira, estava escancarada para traz e o pátio mostrava sinais de abandono. Não era de pouco tempo como ele pode perceber as ervas daninhas tinha tomado conta do que antes era um vistoso gramado coberto de flores do campo. A grande casa estava desabitada. Só alguns gatos domésticos, agora selvagens pela ausência humana,trilhavam pelas sombras.

O vento uivava por entre as frestas e aberturas da casa iluminada por um vermelho sangue do sol poente próprios dos banhados. A grande mesa que ficava na sala estava quebrada. Alguns moveis ainda restavam apodrecidos pelo descaso e agora serviam de abrigo para aranhas e outros estranhos habitantes.

Fez questão de percorrer os quartos e a cada passo, antigas lembranças corriam de uma porta para a outra. Viu o que sobrou de sua antiga cama. Alguns trapos velhos ainda restavam numa das prateleiras do seu velho armário. Coisas que ele tinha deixado para trás no dia em que resolveu ir embora. Para a cidade, para um mundo novo que lhe esperava.

E agora, ali sozinho na Tapera, vendo tudo que deixou para trás, ele chorava. Talvez, se tivesse ficado, as coisas fossem diferentes agora. Talvez tivesse uma outra história para contar que não essa. De ter deixado o mundo pelo qual tanto ansiava para trás e ter decidido enfim voltar para casa.... tarde demais.

Passou pela varanda e cruzou o quintal sem olhar para trás. Fechou a porteira atrás de si e pegou novamente a estrada. Ali, o tempo maldito não esperou, assim como nos outros lugares por onde passou. Enfim, nada havia restado do seu passado. E rumando para seu destino ainda desconhecido reinventou um novo homem.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

A Voz do Eddie



Já ouvi tantas vozes! Tão lindas e suaves vozes. Rasgadas ou sensuais, roucas ou desafinadas, são sempre vozes. Mas nenhuma delas é ou será como a voz do Eddie.

Existem milhões de cantores ao redor do mundo com os mais lindos timbres e mais impressionantes tessituras. Mas para mim não sobra a menor dúvida que se na presença de Deus eu estivesse e Ele me deixasse escolher entre todas as vozes que já escutei, escolheria a voz do Eddie.

Exprimido na grande multidão eu ouvi essa voz que tanto admiro e que até certo ponto invejo cantando ao vivo. Admito, eu invejo mesmo! Por poucas coisas nesse mundo eu tenho esse sentimento mesquinho e uma delas é a voz do Eddie.

Ter visto o Pearl Jam tocar foi realizar um sonho que há muito tempo eu tinha. E por duas horas e quinze minutos a voz do Eddie ecoou por toda a pedreira levantando uma energia como poucas vezes eu vi num show.

Tem momentos que ele corre de um lado a outro do grande palco, sobe numa das caixas de som e dá um grande salto. Outros ele senta na beira, fuma e toma vinho, muito vinho. Ensaia frases em português, volta para o seu inglês de Seathe e manda mais músicas. O show não para, a galera não para e eu, lá no meio, enlouqueço.

Tem músicas que eu podia ter pulado muito, mas não pulei. Fiquei parado olhando para aquela banda e escutando a voz do Eddie, simplesmente hipnotizado. E admito que por duas vezes chorei, como um verdadeiro retardado. Macaco de auditório espremido na grade na frente do palco com a voz do Eddie cantando pra mim.

A Pedreira lotada, uma noite de estrelas no instável céu de Curitiba, os amigos na volta e o Pearl Jam tocando a uns cinco metros de mim. E naquele momento, nada parecia poder ser mais perfeito. To realizado, muito realizado.