Tara

O caos nas suas vidas parecia uma variável constante. As brigas e discussões eram abundantes e nos locais menos apropriados. Já foram vistos brigando em supermercados, locadoras, restaurantes, casamentos e até funerais. Todos se perguntam por que continuam juntos? Como conseguem conviver um com o outro daquele jeito? Ele, gritando como um louco e ela jogando nele diversos livros no meio de uma livraria no centro.
O mais incrível é que sempre foram assim. Desde os primeiros dias de namoro, se agredindo e se cutucando mutuamente. No noivado, a festa acabou mais cedo por causa da briga entre os dois e o estrago que fizeram. E mesmo assim continuaram juntos, sempre juntos. Diziam que as vezes ele até batia nela, mas ela nunca prestou queixa de nada.
Quem observa imagina mil coisas a essas alturas do campeonato. Por que não seguem seus caminhos separados e em paz. Eles não querem a paz? Eles estão ocultando algum segredo que não podem se separar? Qual é o elo que os une? Seres de opiniões e atitudes tão distintas.
Um dia portanto durante uma das brigas daquelas feias que ela colocava ele pra fora de casa ou trocava a fechadura encontrei ele num bar tomando um whisk. Como eu o conhecia me sentei a mesa e escutei toda a história. Sim, de fato eles haviam brigado e agora ele estava lá enchendo a cara: “Aquela vagabunda!” dizia ele indignado.
Tomei coragem e então perguntei o que todos os que o conheciam queriam perguntar e não tinham coragem. Perguntei o por que? Por que eles dois continuavam juntos mesmo brigando tanto? E foi depois da terceira dose que ele me contou e foi profético: “depois da tempestade, sempre vem a bonança” disse ele entre goles de Scott. Disse que suportava tudo e suportaria muito mais que isso por que quanto maior a tempestade, maior também a bonança.
Juro que num primeiro momento não entendi e ele deve ter percebido a expressão no meu rosto por que então exclamou: “sexo de reconciliação”. Brigavam o tempo todo por que os dois eram simplesmente viciados em sexo de reconciliação. Aquela trepada maravilhosa que se dá ao perdoar e ser perdoado pela pessoa amada e então unir-se em um só para juntos celebrarem o que há de mais intimo. A resposta para aquele relacionamento aos olhos de todos doentio tinha enfim sua resposta... sexo de reconciliação.
Ele dizia que sabia que naquele momento ela devia estar em casa esbravejando com o atraso dele. Sabia que brigariam novamente e depois fariam um sexo maravilhoso. Sempre foi assim, desde a primeira vez. Tinham transado depois de uma briga. E gostaram tanto da sensação que repetiram a dose mais e mais até não conseguir viver sem. Eles precisavam daquilo, se entendiam e que se foda o mundo que os enxerga. Se pudessem vê-los na cama ficariam pasmos.
E então, ele pagou sua bebida se despediu e foi pra casa. A noite seria longa e muito excitante. Fiquei sozinho na mesa pensando e bebendo. Em silêncio por algum tempo enquanto ruminava tudo que tinha ouvido há pouco tempo. Que coisa maluca, mas, cada um com sua tara.
By: Leandro Ferreira
Foto: Viktor Ivanovski

2 Comments:
Tesão!!! Fiquei tarado!!! Quero sexo de reconciliação!!! Falta encontrar com quem se reconcialir... Me diz uma coisa? Pra isso precisa ter brigado com alguém, não é?! Iiih! Fudeu!!!
Oras, é óbvio que tem que ter brigado antes. Senão não é sexo de reconciliação!!
É muito bom!!
Postar um comentário
<< Home